quarta-feira, 20 de outubro de 2010



"Prefiro as máquinas que servem para não funcionar:
quando cheias de areia de formiga e musgo - elas
podem um dia milagrar de flores.

(Os objetos sem função têm muito apego pelo abandono.)

Também as latrinas desprezadas que servem para ter
grilos dentro - elas podem um dia milagrar violetas.

(Eu sou beato em violetas.)

Todas as coisas apropriadas ao abandono me religam a Deus.
Senhor, eu tenho orgulho do imprestável!

(O abandono me protege.)"

(Manoel de Barros)



(fotos: Salvador -BA)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

"Ao menos leve uma certeza,
você me deixa doído,
mas só
não me deixará doido
porque isso sou, isso eu
já sou."

(Novos Baianos)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

da incompletude?

As vezes eu acho que uma pessoa que não se sente só definitivamente não escreve.

É necessaria uma 'certa' solidão pra escrita?
Assim os outros 'eus' podem povoar as letras?
dialogar e fazer companhia?

quanta dúvida... será que alguém me responde?
ola?

-----

Definitivamente a completude nao me pertence.
não sei se ela de fato pertence alguem que nao em ilusao.
O que nos pertence é uma incompletude, talvez condizente a condição humana.
Esta tambem sendo uma ilusao, mas uma ilusao que deve ser vivida afirmativamente, pois tentar fugir dela seria desejar pra sempre o paraíso inexistente. viver um nada.

Um ser vivente que passa sua incompletude desejando a completude é um eterno frustrado. um ser vivente que acha que achou a completude habita um nada impotente e improdutivo. estático. paralítico.

Talvez em alguns momentos sejamos inebriados perversamente por essa ilusao passiva e coitada. desejamos sim, aprendemos a canalizar o desejo pra impotencia, pro vazio, pra castraçao. pra paixao triste.

Aceitar-se só, mesmo quando muitos sós sao sois juntos, quando podem se iluminar e talvez fazer um coletivo de sós. ressonantes e ressoantes. cantores líricos quase.

que a incompletude possa ser afirmativa, potente, criadora e acima de tudo completa.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Se algum dia me forem fazer uma homenagem póstuma, digam:"Ele soube o que era o céu e o inferno de viver. E mais do que isso, soube o que era a potencia de poder habitar os dois ao mesmo tempo."

Sublime, não? digno de uma homenagem póstuma.hehehe

terça-feira, 28 de setembro de 2010

lágrimas de um vagao

Cedo, com os olhos ainda remelentos.
Segue o frio amigo, a chuva fosca.
entro nos vagoes silenciosos, cinzas, desbotados e estridentes.

Já nao é a primeira vez que vejo esses olhos.

uma fala só
sem som sai.

é estranho como um ar frio percorre minha alma e, ainda, corroi.

sinto um principio de dor do mundo, de dor da vida, do existir
dificil.

penso na infancia triste, o suburbio, o isolamento, a solidao

pode ser uma fonte inesgotável.
Nem sei se é minha ou se é sua.

Sei que seus olhos atravessam mais uma vez o vazio ao lado da
minha nuca. sobre meus ombros.

quem compraria um doce? quem daria uma palavra doce.
eu mesmo pouco tenho coragem. quase sempre.

sei que uma lágrima acida e corrosiva continua por dentro.

permanece. permanece.

desejo nao te encontrar mais.
Espero nao te ver mais com esses olhos.

Isso doi estranho.

Condiçao miserável a nossa, as vezes.

Por isso a frase ecoa em meus ouvidos de dentro:
"tem vezes que exaltar a alegria parece uma insensatez, de tão
longe. de tanta tristeza que parece nao cessar."

mais uma vez esses olhos. esse olhar.

uma lágrima em forma de nausea de cidade cinza.

tudo é impessoal. nada é sozinho. adeus

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

nao compre nada
pirata.
pois isso é uma coisa extremamente
estranha.
aproprie-se.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Domingo na fazendo.
tudo parece tao normal quando nao se tem nada pra fazer
depois de dizer o quanto valho
nada mais quer dizer.

sei la, tento aqui escre ver ou esque cer?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Coisas que nao devem faltar em relacionamentos:

Sexo.

(sei que pode soar machista, mas pelo menos é um dos principais indicadores de que um relacionamento "jovem" nao vai bem.
Além disso, é uma exigencia efemera. Pelo menos enquanto minhas funçoes vitais estiverem BOAS e hormonios inundarem meu sangue!
E NÃO, nao é o principal! mas nao pode faltar!)
Sei que muita coisa soa insensata, especialmente em alguns momentos...
Mas nao te ter faz com que sua ausencia se torne impossível.

E isso parece tao certo que dói. agora.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

12 Macacos.

Bem vindo a um estado paranoide. É esse filme.

Genial.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

"Mas, antes de o cumprir, deve refletir se sua vida nao pode ser mais util que sua morte".

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Ma digestao (ou refeiçao remoida)

Sentei pra almoçar com um estranho.
Não tinha mais lugar sem estranhos.
apenas lugares com outros estranhos ou levemente conhecidos.
Mas nao meus.

Este era mais um desses.

Pedi licença,
(licença pra que?)
Ele concedeu.
(pra quem?)
Sentei, enquanto nao chegava meu numero.

Chegou o dele.
Pegou sua refeiçao.
Comeu.

Sabia que nunca o vira.
Nem tao pouco o veria novamente.

Ele acabou sua refeiçao.
Saiu.

A minha chegou.
Comi.

Outros estranhos sentaram em minha mesa.
Aguardaram outra mesa.

Outra mesa chegou. Sairam.
Mais estranhos se sentaram.

O meu apetite foi satisfeito.
Acabei.
Levantei. Não olhei pra tras.


Nunca mais vi nenhum dos estranhos.
Nenhum deles jamais me verá.

Tudo isso é normal.
Porém levemente desconfortável. acho.


(arroto o desconforto
de nao conseguir fazer diferente.)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Odeio tantas vezes, como agora, a forma que o tempo é subjetivo.
Dias parecendo semanas. semanas solitárias.
semanas de febre, dor, incomodo.

Sinceramente nao gosto de catarsear por aqui, essa coisa lamuriosa e chata.
Mas infelizmente nao tenho tido outra ideia genial de catarse.

Nao da pra ler direito, nao da pra assistir filmes, nao se tem amigos pra conversar, pra olhar nos olhos.

Nem nada muito produtivo tem vindo como ideias alem das mórbidas e de fuga.

Por que o mundo fica tao longe do meu quarto?

Se pelo menos fosse da febre delirante. mas é daquela que vem só pra prostrar e paralizar.

inferno.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

É impressionante, ainda, o poder da escrita enquanto catarse.

que puta alívio!

Ainda, ainda, que muita melancolia, acaba resultando em poesia...

eita...
É muito impressionante como a nossa historia fica forte quando nao estamos juntos.
Em pensar que estava só do seu lado. Agora estou só e com infinitas e importantes lembranças.
As vezes chego a pensar que deveria estar ao seu lado pra poder esquecer.
Nao sei se funcionaria ou se seria mais um ciclo de evitaçao de enfrentar inevitáveis conjunturas, situaçoes, sensaçoes, sentimentos, saudades, faltas, presenças, desejos, espelhos, sim, nao, duvidas, enfins, vai saber?

Mais uma vez o "esquecer de esquecer".
mais uma vez...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Cansado. e doente.

mas os ventos da mudança vao sussurrar pelo meu corpo
ajudando calmamente a por as coisas de uma maneira
diferente.

ja sinto a brisa do luar.

(que post menininha! uhahuuhahua)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Em busca da Ilha (deserta)? - I

Li certa vez que existem dois tipos de ilhas: as continentais e as oceanicas.
As continentais sao formadas a partir de fraturas, alagamentos, rompimentos desses pedaços com o continente.
As oceanicas, por sua vez, sao formadas de erupçoes, que se transformam em corais e eventualmente em ilhas.

Por sua vez dois novos territórios, desérticos agora, sao feitos ilhas.

Uma partenogenese. Um ovo nasce da terra/agua.

Todo esse processo, pra ter sentido, precisa de um observador ou desejante pretendente a habitante.

Toda mitologia, fantasia, começa. re-começa. um segundo nascimento da terra é possivel para o homem.

um segundo renascer do homem é possivel para a terra?
ou ela continuará desértica aguardando o seu re-nascer?
na pior das hipóteses, tudo terminaria como mais um simulacro, re-petiçao?

(mas repetiçao seria de fato uma repetiçao, ou seria quando realmente tudo ganharia sentido possivel?
Daí concursa-se à diferença?
Essa inapreensível?)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

No dia seguinte, realizou-se o mesmo na casa de sua namorada por motivo de aniversário.

E na de um amigo.

E na de um conhecido.

E outro.

E outro

E
Eis que um belo dia o jovem acorda.
Olha as coisas um pouco diferentes, diziam que não há soluçao.
Muitos diziam.

Ele quase acreditou.
Mas esse era um dia muito determinado e determinante.
Ele nao podia fingir que seria diferente.

A ideia que ao dormir parecia um tanto quanto lunática, ao acordar parecia
a unica soluçao como o raiar do sol.

Chegou na cozinha, procurou a todos.
Nao achou.
Mas uma vez fez nexo, era dia dos pais!
Tudo caminha. Ele mais uma vez entende a importancia.

Entao lembra de ir a casa de seu avô, que morava algumas quadras de sua casa.
Lembra que a família inequívocamente se reunia la nesse tipo de datas.
Por uma força magnética inexplicável. Era toda santa data.
Essa nao seria diferente. Talvez fosse mais santa que as outras ou mais pagã.

Ele chega.
Todos estao na mesa, compartilhando belamente o almoço preparado com tanto zelo.
Ninguem briga pela comida, todos se preocupam em partilhar.
Nao igualmente, mas de acordo com a necessidade de cada um, pra que nao houvesse chance da falta surgir.

Ele mais uma vez entendia tudo. Tudo como pensara e como ia ser.
Chega na cozinha, comprimenta uma prima e vai para a gaveta.
pega uma faca de peixe. Era peixe o prato principal, como nao seria?

Na sala todos olham com sorrisos para ele, finalmente chegara.
Quase acharam que nao ia, mas sabiam que ele nao faltaria.

Primeiro o avô. arranca seu olho com a faca.
Todos olham imóveis, nao há grito.
Logo em seguida a jugular.
Um por um espera a sua hora com uma imóvel paciencia mista de extase.

Um por um. Primos e primos, tios e tias, mae e pai.
Depois de ter terminado sua tarefa, fecha os olhos e crava a faca certeiramente em seu peito.
Como ensaiara tantas vezes antes do Dia.

Com um ultimo suspiro, Tira a carta do bolso e coloca na ponta da mesa perto do Patriarca da família, com o simples escrito cunhado a ouro e sangue:
"Por um Mundo melhor"
Eis que o ócio encontra as palavras.
Ainda um pouco preguiçosas, mas encontro:

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Tanta coisa pra falar, escrever, formar...
Mas com tanta preguiça pras palavras....

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O passado deveria servir apenas em funçao de um presente completamente diferente.
Caso contrário, o certo deve ser Esquecer.

domingo, 6 de junho de 2010

Pássaros livres nao morrem, apenas os aprisionados precisam deixar o corpo pra continuarem livres.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

E ele morreu mais uma vez.
E sentiu que era vivo de novo.
Na verdade nem sentiu, porque sentir nao existe, nao dá pra existir.
quando voce se dá conta ja nao existe mais.
Então fui comprar um passarinho.
Resolvi isso de ultima hora.
Entao pergunto ao dono: o senhor tem algum pássaro pra vender?
Ele pergunta de volta se eu quero algum em especial?
Eu digo que não, apenas queria saber o preço e se tinha passarinho.
Ele diz que deve conseguir uns canários belgas pra semana, mas que no momento só tem um periquito. Na verdade uma periquita. Acredita ser fêmea.
Eu digo que vou querer levar.
Entao ele me pergunta se eu tenho gaiola em casa, e tem que ser de metal.
Eu digo que nao, mas que dou um jeito.
Enrola, enrola, diz q so vai me vender se eu tiver uma gaiola, pq senao eu vou jogar meu dinheiro fora.
Eu finjo ligar pra casa, me sinto ridículo, volto a loja e digo q tem uma gaiola de madeira, mas que vou providenciar a de metal.
depois de muito enrolar ele resolve me vender, desconfiado e preocupado que eu nao fosse dar chance ao bicho de fugir.
Eu digo que se o bicho conseguir fugir ele mereceu por ser esperto.
Ele diz que esses bichos nao sao espertos, simplesmente fogem, sao assim.
Nao digo nada.
Depois de muito custo, finalmente vai pegar o passaro, me explica antes que eu tenho q dar agua e comida, senao ele morre. e morre mesmo. tá me avisando.

Compro o passaro
chego na praça que imaginei. nao era como imaginava.
ando mais.
muitos carros passam. o bicho inquieta.
sossega. falo pra ele que nao vai demorar muito.

chego noutra praça, menor essa. nem imaginei.
começo a abrir a pequena caixa. calma, já vai.

tá aberta agora. Vai.
Ele vai. mal dá pra ver.
Nao teve poesia nem nada. apenas foi.
voou capenga e desengonçado
numa fraçao de segundos ele era mundo, nao sei nem se era vivo.
apenas foi
Tem dias que sao no mínimo estranhos. Na verdade acho que existiriam poucas palavras pra descrever esses dias. Na verdade neles as palavras saem com dificuldade. um parto.
Na verdade eu nem sei porque eu to escrevendo aqui.

Pensei em falar sobre uma visita ao inferno, talvez uma outra ao céu. ou talvez como eu sai dos dois ou nunca sai de nenhum dos dois. ou como eu nunca fui a lugar nenhum. ou como eu nunca existi. em lugar nenhum.

As vezes a gente se acostuma com as lacunas. as vezes a gente aprende a construir pontes por cima delas, com pedágio até as vezes.

Entao eu morri. ai aconteceu do além vida ser a própria vida. como eu nunca imaginei e como eu sempre soube que seria.

É tudo igual. tudo como se imagina. Exatamente.
Na verdade sempre vai poder ser o que voce quiser e imaginar ser. tudo igual.
Quem poderia imaginar?

Deve ser uma coisa bem assustadora pra quem nao consegue imaginar diferente dos céus e infernos que já criaram por ai. as coisas préfabricadas, deve dá um ar de 'looping' sem fim com cheiro de mofo.

É bom quando o igual ja é tao diferente, porque se nao fosse... nao sei o que seria... sinceramente.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A cidade: uma equação simples, óbvia e formal.

Pro bom funcionamento das urbes e de um governo-estado precisamos das

pessoas sempre Cansadas, Tristes, Insatisfeitas e Acostumadas.

=

Acordar. Comer. Trabalhar. comer. Dormir.

Entre os pontos: catarse e vícios; pouca diversão sincera e descomprometida.

+

Assim nunca protestarão e acharão sempre melhor que alguém cuide de suas vidas por si!
Da mesma forma que estarão sempre desejando consumir pra aplacar a angústia e a impotencia do dia-a-dia.

*

E nunca pensarão que Tudo pode ser diferente.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Uma beleza do hoje...(?)

"Senhor, se te adoro por temor do Inferno, queima-me no Inferno, e se te adoro por esperança do Paraíso, exclui-me do Paraíso, mas se te adoro por ti mesmo, não me negues tua imortal formosura" (citação de Farid al-Din Attar, p. 147)

"OSVALDO FERRARI - Sim, em consequencia, Lucrécio propunha viver a vida da melhor maneira possivel, e nao se iludir com algo alem da morte, como bom seguidor de Epicuro.

JORGE LUIS BORGES - Sim,(...) mas eu iria mais longe, diria que esperar uma recompensa ou temer um castigo é algo imoral, porque se voce agir bem porque será recompensado, ou pelo temor a ser castigado, nao sei até que ponto a sua boa açao é uma boa açao, nao sei até que ponto isso é ético. Eu diria que nao, que se tememos castigos e esperamos recompensas, já nao somos homens éticos." (p. 154)

(BORGES, Jorge Luis. Sobre a amizade e outros diálogos. São Paulo: Hedra, 2009. )

terça-feira, 2 de março de 2010

BeBedeira

Piva-Camí

Spinoza
Borges
Buda

SpinozaBorgesBuda

Baruch

Baruch

Baruch

Rorhe
Rorhe
Rorhe